O Diário de Alice 3ª Parte

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Lendo no Parque

previsão de retorno. Fiquei aliviada e ao mesmo tempo triste. Aliviada por ele ter entendido a situação que havia me colocado. E triste por estar sentindo falta dele. Apesar de ele ter invadido minha vida sem me consultar, acabei me apaixonando por ele. O apartamento ainda estava fechado e isso estava me custando caro. Portanto resolvi aluga-lo, como já tinha pessoas interessadas nele, não demorou muito para fechar o negócio. Foi contrato de doze meses, o que me daria tempo para decidir minha vida. Já o carro, depois de perder o ônibus algumas vezes e ter que esperar outro que sempre estava lotado e que muitas vezes nem parava, resolvi usá-lo. Os meus pais não se importaram por ter dito que o havia comprado, então fiquei tranquila. O ano de dois mil e sete terminou. Fiquei na esperança de vê-lo mais uma vez, porém ele não apareceu, nem ligou. Em dois mil e oito comecei bem, no primeiro trimestre fui chamada a sala do meu superior. Eles tinham três vagas para estágio no curso que havia terminado e uma das vagas já era minha, aliás, o meu não seria estágio, seria promoção e esta ordem havia vindo de cima. Agradeci e sai da sala dele muito feliz e o nome do Dr. Mazzonill não foi mencionado. O ano de dois mil e oito também passou e junto com ele a ilusão de que ele poderia voltar. A minha situação na empresa estava muito boa, financeiramente já podia me manter sozinha, conversei com meus pais e ao terminar o contrato de locação do apartamento, me mudei. Não dei muitas explicações, só disse que o havia comprado. No prédio os porteiros sempre me perguntavam pelo meu “marido” e eu dizia que ele estava trabalhando nos Estados Unidos. A minha vida era muito solitária, não conseguia me relacionar com outros homens, sempre os comparava a ele. Era um absurdo, mas mesmo sabendo ser errado, se ele me pedisse hoje para ser sua amante, eu aceitaria. Com aquele jeito autoritário e ao mesmo tempo carinhoso ele conquistou meu coração. E a saudade estava doendo muito. Maio de dois mil e nove, a primeira semana do mês havia passado tranquila, e a sexta-feira chegou, recusei um convite para o cinema, uma rodada de pizza e o convite para o aniversário de uma colega de trabalho. Fui para casa curtir mais um dia de solidão. Entrei em casa pensando em assistir um filme comendo pipoca, mas antes que tivesse tempo de acender a luz, fui empurrada contra a parede. A porta se fechou, tentei gritar, mas fui impedida por uma boca quente e ávida que se apossou da minha. Como que numa dança frenética me vi correspondendo às carícias enlouquecedoras daquelas mãos, que faziam meu corpo queimar de paixão. Ele conhecia cada centímetro do meu corpo, aonde tocar para minar minhas resistências, sabia me domar e me fazer curvar aos seus desejos. E num balé harmonioso, sentimos nossos corpos explodiram de amor e exaustos dormimos. O meu amor voltou! Pensei. Aquela noite foi só de entrega. Amamo-nos mais duas vezes antes de amanhecer. Quando acordei tinha um café delicioso me esperando. -Bom dia! Você dormiu bem? Essa pergunta veio acompanhada de um lindo sorriso, coisa que eu desconhecia. -Muito bem, obrigada. Respondi meio envergonhada. -Eu te devo algumas explicações. -Não! O Dr. Não me deve nada. Não se preocupe com isso. Mas o café parece gostoso. -Vá se acostumando, porque hoje é o primeiro de muitos. Confesso diário que fiquei feliz por tê-lo novamente em minha vida. Aceitei o fato de não querer mais viver sem ele. Fizemos a refeição matinal tranquilos e sem perceber o nosso apetite, comemos tudo. Carinhosamente Dr. Mazzonill, me fez sentar no sofá e me olhando nos olhos, resolveu desabafar e contou-me sua história. Ele conheceu Maria Cecília quando foi trabalhar na empresa, foi amor à primeira vista. O sogro gostou dele assim que o viu e deu o maior apoio para o relacionamento. Eles se casaram. Dois anos depois ao chegar de viagem, Dr. Mazzonill encontrou Maria Cecília desmaiada no chão do quarto do casal, ficou desesperado. Após vários exames foi constatado que ela sofria de uma doença rara que ainda não tinha cura. Em dois mil e sete eles foram para os Estados Unidos testar um novo tratamento, mas a doença de Maria Cecília estava muito adiantada e o tratamento não pôde ajuda-la, no fim de dois mil e sete ela faleceu. Foram dez anos de casamento, nos quais oito foram de sofrimento e busca de tratamentos que pudessem amenizar a dor da esposa. Apesar dos dois primeiros anos terem sidos maravilhosos, nos outros anos o amor foi se transformando em amizade, a necessidade de proteger e cuidar da esposa foi maior que as suas próprias necessidades, até o dia em que me conheceu, ele me confessou que pensou muito antes de se aproximar de mim. Porém seus sentimentos foram crescendo e amadurecendo, até o dia que ele me amou pela primeira vez, se arrependeu depois pela forma como tudo aconteceu, mas não sabia como me pedir desculpas. E hoje estava ali diante de mim, livre, desempregado e pronto para começar um novo relacionamento, caso eu o aceitasse. E com certeza querido diário, eu aceitei. Iríamos escrever uma nova história para nossas vidas. Dr. Mazzonill contou ao sogro sobre mim e ele entendeu a situação, era grato ao genro por ter cuidado de sua filha até o fim de sua vida. Por isso a empresa sem questionar me mandou embora e assim recebi todos os meus direitos trabalhistas. Dois mil e dez foi o nosso ano. Em janeiro nos casamos e começamos do zero. Com a minha indenização e o capital do Dr. Mazzonill, abrimos a nossa construtora. No final de dois mil e dez, recebemos as chaves do apartamento que ganhamos de presente de casamento do ex-sogro do Dr. Mazzonill, num dos condomínios de luxo na minha cidade. E foi aí que te encontrei. Estou muito feliz, dois mil e onze promete muitas coisas boas, e a propósito o nome do meu amor é Enzo Mazzonill e a nossa união foi abençoada, pois em breve o fruto do nosso amor virá ao mundo. É querido diário, a vida é imprevisível, ela traça caminhos sem nos consultar e nos faz caminhar por eles mesmo não sendo da nossa vontade, mas no final temos que agradecê-la, pois ela sempre esta certa. E as nossas noites de amor, são sempre diferentes, são noites especiais, sempre muito quentes. Então querido diário até breve e espero ter outras histórias interessantes para te contar.


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